Eu falo de um homem, não um homem qualquer, mas um homem que no
seu andar parece ter a leveza de uma criança, e o peso do mundo nos ombros
concomitantemente. Este homem no auge de seus trinta e poucos se perde entre o
que é, e o que quer. Trajando suas vestes de homem sério, culto, da alfaiataria
mais bem acabada, ainda sim, não esconde as despojadas vestes de um simples
homem.Este pequeno grande homem, com seus metro e setenta e cinco de doçura
arrojada e humor refinado, é muito mais do que pensa ser, mais ainda tem muito
para crescer. De uma pele alva de fina cútis, tem sobre esta, uma penugem
dourada, nem demais, nem de menos, que acompanha todos os traços de um ser que
foge a padrões de beleza vários, mas é único e perfeito em si mesmo, mesmo que
este duvide deste fato. De mãos languidas e finas, que trazem na palma a
agradável quentura do sentir-se vivo.Sua face, sim esta face seria o que possui
de mais encantador, com inúmeras expressões que escondem o que deveriam mostrar
e mostram o que deveriam esconder. O que na verdade um não exclui o outro.
Feições diferentes esse homem tem, uma boca fina e bem desenhada emoldurada por
uma barba agradável ao tato, que suspeito ter sido desenvolvida única e
exclusivamente para proteger dos olhares cobiçosos e impuros tais lábios como
os dele, que produzem um sorriso único, fragmentado em tantos outros e perdido,
que só quem percebe suas discretas nuances o vê no canto dos lábios. Um nariz
entre o grego e o romano difícil até de se padronizar, mas possui a sutileza necessária
para a face completar.Os olhos, ah os olhos inspirariam as canções mais belas
ditas no silêncio. Um olhar longínquo como só o espelho da alma poderia
proporcionar, o tipo do olhar matreiro que diz sem falar, de Iris castanha, às
vezes de cenho franzido, até quando perdido! Penso que o segredo de tudo esta
lá, naquele olhar, cercado de mistério. Se observarmos bem, nesses olhos
perpassa as tristezas desta e de muitas vidas, agonias, vestígios de algo que
ficou para trás.Cabelos de certa forma incoerentes. Ondulados, lisos, com ou
sem cremes, não importa! Creio que ele ainda tem sorte de tê-los.Neste homem as
personalidades se confrontam numa variabilidade de humor positiva e negativa,
um eterno querer e não querer, ser ou não ser, que até Hamlet se confundiria.
Por dentro um jovem em ascensão por fora um homem necessitando de um
renascimento. Julgamentos não caberiam a ele, até porque ele não os aceita, os
repudia, integro de tudo e de si mesmo. No peito reside à chama da singela e
única esperança ainda adormecida da tão esperada felicidade. Na mente, o
racional trava quixotescas batalhas contra moinhos de razões inexistentes que o
vendam para as verdades claras e óbvias que apenas ele não quer ver.Um homem
como tantos, reside em si com tamanha doçura, paixão, inteligência e
integridade tantos outros que já foram verdade na antiguidade, prontos para
emergirem do recôndito de sua alma. Agora só resta saber o que o Tempo acha!
Descrição Lirica de um homem que marcou a minha vida no Passado!
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