terça-feira, 16 de dezembro de 2014 | By: Juliana Dato Leal



Está naquela idade inquieta e duvidosa, 
Que não é dia claro e é já o alvorecer; 
Entreaberto botão, entrefechada rosa, 
Um pouco de menina e um pouco de mulher. 

Às vezes recatada, outras estouvadinha, 
Casa no mesmo gesto a loucura e o pudor; 
Tem coisas de criança e modos de mocinha, 
Estuda o catecismo e lê versos de amor. 

Outras vezes valsando, e* seio lhe palpita, 
De cansaço talvez, talvez de comoção. 
Quando a boca vermelha os lábios abre e agita, 
Não sei se pede um beijo ou faz uma oração. 

Outras vezes beijando a boneca enfeitada, 
Olha furtivamente o primo que sorri; 
E se corre parece, à brisa enamorada, 
Abrir asas de um anjo e tranças de uma huri. 

Quando a sala atravessa, é raro que não lance 
Os olhos para o espelho; e raro que ao deitar 
Não leia, um quarto de hora, as folhas de um romance 
Em que a dama conjugue o eterno verbo amar. 

Tem na alcova em que dorme, e descansa de dia, 
A cama da boneca ao pé do toucador; 
Quando sonha, repete, em santa companhia, 
Os livros do colégio e o nome de um doutor. 

Alegra-se em ouvindo os compassos da orquestra; 
E quando entra num baile, é já dama do tom; 
Compensa-lhe a modista os enfados da mestra; 
Tem respeito a Geslin, mas adora a Dazon. 

Dos cuidados da vida o mais tristonho e acerbo 
Para ela é o estudo, excetuando talvez 
A lição de sintaxe em que combina o verbo 
To love, mas sorrindo ao professor de inglês. 

Quantas vezes, porém, fitando o olhar no espaço, 
Parece acompanhar uma etérea visão; 
Quantas cruzando ao seio o delicado braço 
Comprime as pulsações do inquieto coração! 

Ah! se nesse momento alucinado, fores 
Cair-lhes aos pés, confiar-lhe uma esperança vã, 
Hás de vê-la zombar dos teus tristes amores, 
Rir da tua aventura e contá-la à mamã. 

É que esta criatura, adorável, divina, 
Nem se pode explicar, nem se pode entender: 
Procura-se a mulher e encontra-se a menina, 
Quer-se ver a menina e encontra-se a mulher! 

Machado de Assis

Você é tudo isso pra mim! Carlos Drumond de Andrade

Se os olhares se cruzarem e neste momento, 
houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: 
pode ser a pessoa que você está  esperando desde o dia em que nasceu. 
Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa ... 
Se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: 
Deus te mandou um presente divino - o amor. 
Se um dia tiverem que pedir perdão um ao outro por algum motivo e em troca 
receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os gestos valerem 
mais que mil palavras, entregue-se: vocês foram feitos um para o outro ... 
Se você conseguir, em pensamento, 
sentir o cheiro da pessoa como se ela estivesse ali do seu lado ... 
Se por algum motivo você estiver triste, se a vida te deu uma rasteira e a 
outra pessoa sofrer o seu sofrimento, chorar as suas lágrimas e enxugá-las com ternura, 
que coisa maravilhosa: você poderá contar com ela em qualquer momento de sua vida ... 
Se você achar a pessoa maravilhosamente linda, mesmo estando ela de pijamas velhos, 
chinelos de dedo e cabelos emaranhados ... 
Se você não consegue trabalhar direito o dia todo, 
ansioso pelo encontro que está marcado para a noite ... 
Se você não consegue imaginar, de maneira nenhuma,
um futuro sem a pessoa ao seu lado ... 
É o amor que chegou na sua vida. É uma  dádiva. 
Se você tiver a certeza que vai ver a outra envelhecendo e, 
mesmo assim tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela ... 
Se você preferir morrer, antes de ver a outra partindo ...
É o amor que chegou na sua vida !
Por isso, preste atenção nos sinais - não deixe que as loucuras do dia-a-dia 
o deixem cego para a melhor coisa da vida: 
muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, 
mas poucas amam ou encontram um amor verdadeiro. 
Ou, às vezes encontram e, por não prestarem atenção nesses sinais, 
deixam o amor passar, sem deixá-lo acontecer verdadeiramente. 
Preste atenção nos sinais e não deixe que as loucuras do dia-a-dia 
o deixem cego para a melhor coisa da vida:
O amor ...

Tudo continua da mesma forma!

As Sem-razões do Amor (Carlos Drummond de Andrade)

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.

Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,

na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.

Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.

Porque amor é amor a nada,

feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,

e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014 | By: Juliana Dato Leal

Anytime

Eu não sei bem o que anda acontecendo, mas a 3 dias seguidos que não consigo para de chorar ao lembrar de você, e nada me deixa mais tola, do que chorar por um amor que nunca foi meu, que eu nunca tive...Mas uma coisa é certa...eu amei, amo e vou amar com cada célula, cada esforço e cada lágrima, pelo resto dessa insignificante existência...sempre a mesma pessoa...sempre você!